Alcoolismo

Alcoolismo - Delirium Tremens

«ALCOOLISMO» é o termo da língua portuguesa usado para, de forma geral e imprecisa (e muitas vezes depreciativa), designar transtornos da saúde física e/ou psíquica de uma pessoa consumidora excessiva1 de ÁLCOOL ETÍLICO, assim como os prejuízos ou disfunções que tal provoque na sua situação familiar, social e/ou laboral.

Substancias Psicoativas

O ÁLCOOL é uma substância psicoativa2, que pode proporcionar (sem que o indivíduo se aperceba dos efeitos tóxicos imediatos que naquele momento está a provocar no seu organismo e comportamento):

– sentimento subjetivo de atenuação da dor física e do esforço, e de facilitação do convívio e do modo de lidar com tensões, apreensões, angústias, etc.;
– alívio do sofrimento causado por sentimentos anímicos (tais como medo, insegurança, tristeza, solidão ou frustração), consequentes a situações reais que está a vivenciar (reativos a stress) e muitas vezes mesmo, sintomas de OUTRAS DOENÇAS (do foro psiquiátrico e não só)3.
EFEITOS RECREATIVOS E HEDONÍSTICOS (sabor das bebidas, desinibição, sociabilidade, distorção percetiva de sons, ritmos, luz e cores), etc., etc…
– E que também POR RAZÕES «CULTURAIS» (FALSOS CONCEITOS SOBRE O ÁLCOOL), impacto de marketings eficazes (para os produtores e vendedores…) «rituais» de grupo, etc., é consumido de modo excessivo e continuado.

Sobre A Dependência

Ao contrário do que acontece normalmente com a ingestão de água a alimentos, que proporcionam saciação, o álcool, se consumido de modo mais ou menos repetido [fenómeno designado em aditologia por ABUSO], ao fim de um determinado período de tempo (dependente da sensibilidade individual), deixa de provocar o sentimento de prazer (fenómeno designado em psicologia por reforço) ou os sentimentos subjetivos de atenuação ou alívio referidos [fenómeno designado em psicologia por TOLERÂNCIA], e, para que volte a proporcioná-lo com a mesma intensidade, o consumidor sente NECESSIDADE de ir aumentando progressivamente as doses [fenómeno designado em aditologia por ADIÇÃO, ou DEPENDÊNCIA PSÍQUICA].

Sobre O Craving

CRAVING é o termo consagrado para designar, em aditologia, a experienciação do desejo muito intenso, incontrolável e irresistível do consumo da substância em quantidades progressivamente maiores.
As substâncias, como o álcool, cujo consumo que pode provocar esta sucessão de fenómenos são designadas por «DROGAS»4.
Como referi no início do «post» e É DO CONHECIMENTO GERAL, o álcool, além das alterações de comportamento psíquico também provoca transtornos fisiológicos, a nível «físico», nos diferentes aparelhos do corpo humano, perturbando transitoriamente as suas funções ou lesando a estrutura de alguns órgãos.
Como consequência de alcoolemias mais ou menos elevadas e prolongadas, que perturbam o normal funcionamento de funções fisiológicas importantes, ocorre um MECANISMO COMPENSATÓRIO, adaptando a atividade do SISTEMA NERVOSO VEGETATIVO às condições adversas provocadas pelo efeito do álcool sobre uns «sensores» desse sistema nervoso (chamados RECEPTORES GABA-A)5… Está então instalada a DEPENDÊNCIA FÍSICA DO ÁLCOOL.

Quando as alcoolemias dos pacientes descem abaixo de determinados valores (obviamente variáveis de doente para doente e ao longo da evolução da sua ADIÇÃO), para além da intensidade do CRAVING há uma HIPERATIVIDADE dos mecanismos compensatórios dos efeitos GABAÉRGICOS (que se atenuaram em virtude da baixa da alcoolemia) que causa um tremendo mal-estar ao paciente, o «obriga a beber» e, é acompanhado de SINTOMAS FÍSICOS. Por isso se designa por SÍNDROME DE PRIVAÇÃO DO ÁLCOOL e pode evoluir (em condições diversas) para uma situação ainda mais grave e dramática, que pode por em RISCO A VIDA do doente, chamada DELÍRIUM TREMENS.

Sintomas Do Síndrome De Privação Física Do Álcool

Sintomas do SÍNDROME DE PRIVAÇÃO FÍSICA DO ÁLCOOL – Hiperatividade do sistema nervoso vegetativo autónomo: sudação intensa, taquicardia, etc.; sede; desorientação no tempo e/ou espaço; trémulo das mãos aumentado; insónia total; náuseas e/ou vómitos; alucinações e /ou ilusões visuais táteis ou auditivas (enquanto se mantiver a não reposição da alcoolemia); agitação psicomotora; ansiedade; podem ocorrer convulsões generalizadas e/ou descontrole dos esfíncteres.

Dr. Ramiro Araújo | Especialidade Psiquiatria

VÍDEO DE UM PACIENTE EM DELIRIUM TREMENS


Notas

  1. nem sempre pela quantidade ingerida! Muitas vezes porque a saúde debilitada ou caraterísticas enzimáticas hereditárias não toleram o álcool, Quando a intensidade dos sintomas (físicos e psíquicos) provocada por uma quantidade de álcool é manifestamente superior ao que acontece nas outras pessoas, chama-se «EMBRIAGUEZ PATOLÓGICA»
  2. «substâncias psicoativas» provocam ALTERAÇÕES NO ESTADO MENTAL e do COMPORTAMENTO nas pessoas e (até, frequentemente) noutros seres do reino animal).
  3. que, que podem dar origem a erros de triagem ou diagnóstico.
  4. as que apresentam CRAVING tão intenso que o modo de as obter para o satisfazer passa a ser o objetivo principal da vida do doente e, se «tratadas», apresentam grave risco de recaída são designadas por «DROGAS DURAS».
  5. assim denominadas por ser nelas que (ALÉM DO ÁLCOOL E DAS BEZODIAZEPINAS *) incide o efeito do GABA – ácido gama-aminobutírico – a famigerada DROGA DOS VIOLADORES! *Nota: as benzodiazepinas são fármacos correntemente prescritos nas «curas de desintoxicação» dos protocolos do SNS e outras instituições que «tratam» destes pacientes… Apesar de, nas suas próprias instruções, haver a prevenção de «contraindicação nas pessoas que consomem álcool» e de uma norma rigorosa da Direção Geral de Saúde – NORMA nº. 055/2011 – que não prevê que essas substâncias sejam prescritas nestas condições e LIMITA o tempo máximo da sua prescrição a 12 SEMANAS!!!